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Como tudo começou

Pinceladas da WebCerca de cinquenta anos após o descobrimento do Brasil chegam às margens do Rio Jurubatuba, que posteriormente seria batizado de Pinheiros, os Jesuítas, juntamente com o padre José de Anchieta, para catequisar as aldeias dos índios Guaianazes que habitavam na região.


Era o ano de 1554, século XVI. Como primeira providência de Anchieta, foi construída uma capelinha para ser o ponto referencial do povoado. Essa capela recebeu um santo doado pelo casal português João Paes e Suzana Rodrigues: era o Santo Amaro e sua imagem permanece na Igreja Matriz do Largo 13 de Maio.


De aldeia indígena a um dos maiores centros comerciais da cidade de São Paulo, o bairro de Santo Amaro cresceu em torno da intensa atividade agrícola, beneficiada pela irrigação dos rios e solo fértil. Tornou-se município em 1832, mas logo após seu primeiro centenário, em 1935, um decreto federal pelo interventor Armando Sales Oliveira anexa Santo Amaro à cidade de São Paulo.


Nas três décadas seguintes, apesar do crescimento econômico elevado em razão dos grandes sítios e plantações, o ensino em Santo Amaro ainda era extremamente defasado. Os concluintes do ensino fundamental, antigo primário, precisariam viajar até o bairro de Vila Mariana para prosseguir com os estudos.


Por consequência da construção da represa Guarapiranga - que também foi um marco local no início do século XX - Santo Amaro tornou-se um polo recreativo. Havia muitas casas à beira da represa Guarapiranga de famílias que vinham de “São Paulo” para passar finais de semana ou férias.


A região também passava por muitos avanços na infraestrutura. No século XIX já havia uma ferrovia para trens a vapor, que transportavam produções agrícolas, madeiras, carnes e aves, entre a Praça da Sé, marco central da cidade de São Paulo, até o Largo do Socorro, extremo Sul da cidade. Modernidade para a época e local.


Em 1913 os trens encerraram as atividades e abriram espaço para o famoso “Bondinho de Santo Amaro”, que faria um trajeto quase que em linha reta, partindo de Vila Mariana até o Largo 13 de Maio. A última circulação do bonde foi no dia 27 de março de 1968, três meses antes da fundação da Unisa.
A evolução local prosseguia. Em 1936 foi construída uma pista de pouso em Congonhas, que permitia a passagem de aviadores famosos. Dois anos mais tarde já estaria em funcionamento o Aeroporto de Congonhas. O Autódromo de Interlagos foi inaugurado em 1940, em uma propriedade com mais de 1 milhão de m².


Era uma região com intensa atividade industrial, esportiva e recreativa. Em 1967 Santo Amaro possuía 950 mil habitantes; 4.200 comércios; 2.900 indústrias, mas nenhuma instituição de ensino superior.
A educação na região era uma necessidade social bastante latente. A partir da segunda metade da década de 60, a ideia de se construir uma faculdade na localidade começou a tomar forma.


A edificação
Os grandes precursores da ideia de construir uma instituição de ensino superior em Santo Amaro foram os próprios moradores. A entidade Sociedade Amigos da Capela do Socorro, que permanece em atividade até os dias de hoje, enviou uma solicitação formal à prefeitura, em 1967, para a constituição de uma faculdade. O projeto inicial era a abertura dos cursos de Direito, Filosofia, Ciências Econômicas e Administração.


“Eu sou dentista e exercia a profissão em Santo Amaro. Em 1965 decidi fazer um curso de Direito. Prestei vestibular em Bragança, passei e comecei a cursar. Com as viagens para Bragança, começamos a pensar no porque Santo Amaro, com todo tamanho e pujança, não tinha uma faculdade”, relata Albany Gandia, presidente à época da Sociedade Amigos da Capela do Socorro.


Com o questionamento posto à prefeitura, inicia-se um movimento geral, com apoio da população e da imprensa local, a favor da criação de uma faculdade. Gandia reforça a solicitação da Sociedade à prefeitura, argumentando de que “nossa pátria carece de cultura, necessita de tecnologia, faltam engenheiros, professores, médicos, advogados, dentistas”.


Assim inicia o sonho da Unisa, em 1968.


O movimento social e político para a construção de um centro acadêmico recebeu o incentivo massivo da população local e da imprensa, como os jornais Gazeta de Santo Amaro, A Tribuna e Jornal do Brooklin, que passaram a noticiar todas as decisões acerca deste tema.
Embora a ideia tenha recebido adesão de todos os segmentos sociais, surgiu um novo desafio: encontrar um local para a edificação. O que fazer com o planejamento quando não há dinheiro para a compra de um terreno?


Os Eucaliptos
O grande patrono desta realização foi o Sr. Emil Heininger, proprietário do Sítio das Imbuias. Seguindo a sugestão de Oswaldo Duarte Teixeira, subprefeito de Santo Amaro à época, Albany Gandia procurou Heininger para pedir a concessão do seu loteamento: “ele tem a área e eu vou pedir uma doação”.
Em conversa com o Heininger para a conquista da doação, Gandia argumentou: “Onde o senhor plantou eucaliptos, nós queremos plantar alunos, fazer com que haja ali escolas, cursos. Trazer a mocidade para este recanto de São Paulo. Nós faremos com que isto mude a configuração desta região”.


Nascido na Alemanha e trabalhador de fábricas de aço, Heininger não hesitou em doar a área. Além dele, o médico Raphael Parisi também fez uma doação de 15 mil m² de terreno. Descendente de italianos, lutava pelas relações entre a coletividade italiana e São Paulo e se dedicava à atividade imobiliária.


Com a doação do terreno para a construção da faculdade, surgiu uma outra necessidade: a de criar uma organização que pudesse responder legalmente pela doação, além do projeto pedagógico e da administração.


Foi então que no dia 26 de junho de 1968 criou-se os Estatutos Sociais do que passa a ser a Organização Santamarense de Educação e Cultura – OSEC.

Os 11 Fundadores
Com a aprovação do Estatuto, pela Subprefeitura de Santo Amaro, passam a ser 11 fundadores do que seria a primeira Instituição de Ensino da região:

  • Albany Gandia
  • Alyrio Joaquim Rosatti
  • Amaury Ribeiro Guimarães
  • Antonio Ferraz de Arruda
  • Conrado Schiavon
  • Constantino Saiani
  • João Ivo Lippi
  • José Victor Oliva
  • Luiz Paulo Schiavon
  • Oswaldo Teixeira Duarte
  • Pe. Manoel Bezerra de Mello

Embora a doação do terreno fosse totalmente gratuita, a concessão tinha três termos específicos a serem cumpridos pelos fundadores:

  1. A OSEC se comprometeria a usar a área doada exclusivamente para fins educacionais;
  2. As atividades [educacionais] deveriam iniciar dentro do período de três anos, com a construção de, no mínimo, um prédio para o ensino superior;
  3. O início das obras teria de começar no prazo máximo de um ano.

Caso as exigências não fossem cumpridas, a doação desses milhares de metros quadrados para a OSEC seria anulada.

Termos aceitos e em prática, iniciaram-se os trabalhos para erguer o projeto arquitetônico idealizado pelo engenheiro José Victor Oliva, um dos fundadores, para a Faculdade de Santo Amaro – FASA.

“Quando me pediram para estudar o projeto da OSEC fui até a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e procurei na biblioteca o Plano Orientador da Universidade de Brasília, era o que havia de mais moderno. Ela serviu de exemplo para todas as universidades do Brasil” relata o Engenheiro Oliva.

A Pedra Fundamental
Pinceladas da WebNo início das construções, a diretoria da OSEC inaugura a Pedra Fundamental, como um rito simbólico de tudo o que, futuramente, a Unisa representaria para a região. No dia 22 de setembro de 1968, autoridades políticas, representantes civis e eclesiásticos participaram da grande festividade. Entre eles estavam o Prefeito de São Paulo Brigadeiro Faria Lima, Presidente de honra da OSEC, o ex-governador Laudo Natel, o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Dom Angello Rossi, além de deputados, vereadores e os representantes das Sociedades Amigos de Bairros.


Diretor da OSEC, Oliva exemplificou toda a semântica envolvida neste lançamento: “[criamos] bem no centro das áreas doadas e contíguas, uma formação em concreto que lembrava um berço, um semicírculo inclinado, ligado na parte inferior a um semicírculo plano. No centro, foi feita uma caixa de concreto para receber uma urna metálica fechada e soldada”.


Dentro desta urna havia objetos que remetiam à concretização daquele sonho e que eram marcas daquela época, tais como: atas de assembleias; contratos; discursos; livros; jornais do dia; revistas; e discos. A intenção era de que a “cápsula do tempo” fosse aberta no Jubileu de Ouro da Universidade, como parte das celebrações dos 50 anos.

O curso de Medicina
As dependências do campus no Jardim das Imbuias, atual Campus I – Interlagos, ficaram prontas dois anos mais tarde, em 1970. Porém, desde a assinatura dos Estatutos, o curso de Medicina se dividia entre o prático, nas instalações da Santa Casa de Santo Amaro, por meio de um convênio com a Instituição, e o teórico no campus do Jardim das Imbuias, com um laboratório e dois barracões de madeira para aulas.

“Naquele local ainda tinha um bosque de eucaliptos ao lado do futuro restaurante, um terreno plano, que mais tarde usaríamos como o campo de futebol, e uma casa de caseiro. Foi lá que começamos a nos tornar médicos. Nossos professores eram extremamente ricos em conhecimento, todos entusiasmados com o objetivo de criar uma nova escola de Medicina” depõe o Dr. Paulo Augusto Achucarro Silveira, aluno da primeira turma da FMSA.

Paralelamente acontecia o processo de aprovação e regulamentação do curso de Medicina, junto aos órgãos federais, para o futuro exercício dentro das dependências da OSEC. Nesta época havia poucas escolas de Medicina e a FASA somaria educação com a USP, Escola Paulista de Medicina e a de Ribeirão Preto.

Após a formação de três turmas na Santa Casa, em 1978 o curso passa integramente para o campus da OSEC e é dissolvida a parceria entre as duas instituições. Com isto, inicia a criação de um hospital dentro do próprio campus, o Hospital Escola Wladimir Arruda – HEWA.

O primeiro vestibular
A procura pelo curso de Medicina da OSEC foi tão intensa que o primeiro vestibular foi realizado no Ginásio do Ibirapuera, em março de 1970. Foram 744 candidatos, para 60 vagas oferecidas. Muitos eram jovens, cerca de 80% com menos de 25 anos. Dos 60 aprovados no vestibular para compor a 1ª turma de Medicina, 27 eram mulheres, das quais conquistaram os cinco primeiros lugares.

O processo que envolvia o vestibular, desde a elaboração do conteúdo, até as cópias das provas e a sua aplicação, era extremamente rigoroso com o objetivo de não haver a quebra de sigilo. “A comissão organizadora preparou as questões em recinto vigiado e lacrado para cada matéria, sempre na noite que antecedia o dia do exame. A equipe permanecia incomunicável no referido recinto até uma hora antes do início dos exames. Havia um criterioso esquema de segurança, em regime de discrição e vigilância”, conta o relatório anual da Faculdade de 1970.

Expansão
O ano de 1994 marca a expansão da Unisa e sua transformação. Neste ano as Faculdades Santo Amaro – FASA passam a ser reconhecidas como Universidade Santo Amaro – Unisa. Este novo credenciamento ao MEC ocorreu como consequência ao padrão de excelência no funcionamento e na qualidade conferida à educação desde a sua fundação.

A partir deste período a Universidade inicia a multiplicação de unidades, criando novos campus para a continuidade da oferta de educação na região de Santo Amaro e, consequentemente, em São Paulo. Até o ano de 1996, todos os cursos da Unisa estavam concentrados no Campus do Jardim das Imbuias.

Em 1997 inaugura-se o Campus II, na área central de Santo Amaro, em um prédio da década de 40, onde funcionava a antiga fábrica de relógios industriais, a Hora S.A. As áreas de Ciências Humanas, Sociais, Exatas e Tecnológicas foram transferidas para esta nova unidade. Em 1998 a Unisa já oferecia diversos cursos, entre eles o de Comunicação Social, com Jornalismo e Rádio e TV, História e Geografia.

O Campus II também abrigou um projeto arquitetônico com mais de mil metros quadrados, com conceito moderno e grandioso: a Biblioteca Milton Soldani Afonso

Em 2000 é inaugurado o campus III no coração de Santo Amaro: o Largo Treze de Maio.
Neste período, o Campus I já compreendia uma estrutura admirável, com biblioteca, ginásios de esportes, prédios, campo de futebol, hospital-escola, piscinas, clínicas de atendimento.

Em 2005 a Unisa lança a primeira aula via satélite, na modalidade EaD e torna-se pioneira na área.
Em 2015 o Campus IV é inaugurado no bairro de Santa Cecília marcando o início de um momento muito especial de solidificação da marca, com a continuidade em 2018/2019, na abertura de mais um campus, o V, em Guarulhos: o primeiro campus fora de sede e do bairro de origem.

Esta é a história inspiradora de uma Universidade que nasceu do sonho de formar talentos criativos e transformadores.